Galo da madrugada

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Processo Nº 2007.857.000344-6. Comarca de Paracambi. Autor : JORGE LUIS MARQUES PINTO. Réu : MARIO LUCIO DE ASSIS. Data do expediente : 03/04/2007

Decisão : Declaro-me suspeita para o julgamento da lide em razão do disposto no art. 131 c/c 409, I, do CPC em razão dos esclarecimentos que passo a prestar. 1-Esta magistrada, nos dias úteis, pernoita na cidade de Paracambi, sendo que usualmente em hotéis. Por cerca de 3 ou 4 vezes, esta magistrada pernoitou na casa de amigos situada na Rua Vereador Antonio Pinto Coelho, que fica a cerca de 50 metros da Rua Kardec de Souza, nº 885, ocasiões em que não conseguiu dormir porque um galo cantarolou, ininterruptamente, das 2:00 às 4:30hs da madrugada, o que causou perplexidade, já que aves não cantam na escuridão, com exceção de corujas e, ademais, o galo parou de cantar justamente quando o dia raiou. 2 – A magistrada perguntou aos seus amigos proprietários do imóvel se sabiam aonde residia o tal galo esquizofrênico, sendo que os mesmos disseram desconhecer o seu domicílio. 3 – Ao ler a presente inicial, constatou a magistrada que o endereço onde se encontra o galo é muito próximo da casa de seus amigos, razão pela qual, concluiu que o galo que lhe atormentou durante aquelas madrugadas só pode ser o mesmo que o objeto desta lide, devendo se resssaltar que a juíza não conhece nem o autor e nem o réu. 4- Considerando que esta magistrada nutre um sentimente de aversão ao referido galo e, se dependesse de sua vontade, o galo já teria virado canja há muito tempo, não há como apreciar o pedido com imparcialidade. 5- Há de se salientar que o art. 409 do CPC dispõe que o juiz deve se declarar impedido se tiver conhecimento de fatos que possam influir na decisão e, na presente lide, esta magistrada se coloca à disposição para ser testemunha do juízo, caso seja necessário. Remetam-se os autos ao juiz tabelar.

Coitado do galo, deve ser notívago, ou talvez doente mesmo. Eu conheço um cachorro esquizofrênico, toma até Gardenal. Quanto à juíza, pelo menos ela foi sincera e confessou seu ódio, mas podia ter experimentado um E.P.I., daqueles que os operários enfiam no ouvido, amarelinho ou laranjinha, conforme o fabricante. Eu sempre carrego um quando vou dormir fora de casa: também não durmo com barulhos chatos. E a canja de galo? Deve ter um gosto horrível. Mas o pior do despacho, mesmo, é que a juíza misturou os conceitos de impedimento (CPC, art. 134) e de suspeição (CPC, art. 135). Argh.

Confira o andamento do processo no site do TJ-RJ.

2 Respostas to “Galo da madrugada”

  1. Fernando Says:

    Ué… o art. 409 do CPC fala de juiz que tenha sido arrolado como testemunha. Acho que esse não foi o caso da juíza do galo. Talvez o art. 135, inc. V, tivesse melhor aplicação.

  2. Ricardo Says:

    Acho que ela alegou corretamente, a suspeição (elementos subjetivos – e não objetivos, como no caso do impedimento). Ocorre que ela entendeu que NÃO teria conhecimento de fatos que pudessem influenciar no julgamento, quando se ofereceu para ser testemunha (art. 409, I, CPC).


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